Dicas: Dinheiro

Há três formas práticas e fáceis de aceder ao dinheiro numa viagem à volta de África:

Notas e moedas que juntei para oferecer a um amigo coleccionador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dinheiro fresco

Euros e dólares são muito importantes para emergências – doença, um reboque mais caro, uma surpresa.

Mas também para safar situações onde a rede multibanco não funcione (aconteceu-nos na Líbia), países sem rede multibanco internacional (Sudão) ou onde só há multibancos em capitais longínquas ou fora de caminho como por exemplo no Gabão, que nem lá passámos. Também há situações onde apenas aceitam dólares, por exemplo ferries maiores e embaixadas para pagar vistos.

O euro é bem aceite mas o dólar é rei e mais banal para câmbios de rua.

O risco de andar com dinheiro fresco é obviamente ser roubado, por isso é uma gestão pessoal. Há sempre a possibilidade de levantar dinheiro local no multibanco e comprar dólares em bancos (nem todos os países), mercado negro ou por exemplo, lojas nos grandes hotéis. O problema é que saem mais caros pois pagamos a taxas do levantamento local, mais câmbios a quem os vende.

O mais comum é usarmos dinheiro fresco na entrada dos países para nos abastecermos de combustível, pagar por exemplo seguros e outras papeladas (às vezes vistos feitos na fronteira) até conseguirmos chegar às cidades com multibanco. Para isto é importante levarmos notas pequenas de 20 dólares.

Multibanco

Esta é a opção mais normal e com menos riscos. Cada banco tem as suas características, mas normalmente há uma taxa fixa, por isso mais vale levantar tudo de uma vez. A rede VISA é sem dúvida a mais generalizada, e normalmente acessível nas grandes cidades do continente africano. Uma técnica é levar dois cartões para a mesma conta em sítios diferentes caso um se estrague ou seja roubado. Essencial é ter o “homebanking” activo para fazer operações. Há contudo um problema: em muitos bancos, por razões de segurança, enviam um código secreto para o nosso telemóvel. Por isso ou tem roaming total, ou consegue pedir que o banco lhe retire esta segurança, ou em muitos países será impossível fazer estas operações. Outra hipótese é mudar o numero de segurança para um telemóvel de alguém de confiança em Portugal, e fazer estas operações ligado ao chat, e essa pessoa envia lhe o pin de segurança (fizemos isso várias vezes!)

Transferências estilo “Westen Union”

Esta é uma opção muito comum, difundida e válida em África (mesmo em locais pequenos) pois é a forma mais normal de os emigrantes enviarem dinheiro para os seus familiares, até em pequenas cidades, visto poucos terem contas bancárias e multibancos. O processo é relativamente simples – alguém em Portugal envia-lhe o dinheiro através da agência, e no destino em África apenas tem que dar um número e apresentar a identificação e dão-lhe em dinheiro vivo. O problema é que é caro e trabalhoso pois implica pedir favores a alguém em Portugal. Serve para emergências – caso o multibanco não funcione, caso esteja “atascado” num sitio mais pequeno, ou por exemplo em caso de roubo.

Cambistas:

Não há aldrabão mais provável do que um cambista de fronteira. Andam sempre com maços de notas, histórias fantásticas, necessidades que nos criam e câmbios fabulosos que nos oferecem. Usam a nossa óbvia ignorância de overlanders que não conhecem o país que se aproxima, e tenho-lhes alergia permanente. Recuso os seus serviços e conversas tirando para despachar uns trocos que ficaram no bolso. Caso se chegue a uma fronteira com bastante dinheiro para trocar, há sempre alguém de uma mercearia da primeira vila ou cidade que os aceita e troca com câmbios aceitáveis ou por exemplo numa pensão, é fácil e os riscos de ser aldrabado são menores. Claro que há excepções, mas são raras.

Por Carlos Carneiro (filho)

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