Dica: Partir lenha à africana

A simplicidade africana mata-me.

Herdámos recentemente de um Suíço que regressava para a Europa uma enorme catana e um machado pequeno desmontável que também serve de pá. Com eles tentava há dias desfazer um bocado de lenha em pleno deserto Núbio para cozinhar o jantar. Suado e com pouco sucesso lembrei-me com um sorriso de um episódio passado ainda no Sul de Angola.

 

A noite estava fresca e decidimos fazer fogo. Eu fui partir lenha e lutei com um tarolo imitando o Bear Grylls, herói do “Extreme Survival”, programa que me cola à TV como nos tempos de criança. A sua técnica para madeira difícil é juntar a lâmina da faca ao tarolo e bater com uma pedra na lâmina abrindo sucessivos “v”. Fiz o mesmo com a minha Sico (a faca do petisco portuguesa que trago) e o tarolo ficou a olhar para mim a rir-se com pequeníssimas lascas.

Até que chegou uma criança.

Pegou no tarolo, encostou numa pedra na diagonal e pegou noutra enorme que atirou com força, deixando a madeira em cacos!

Repeti a técnica no deserto e mais uma vez se mostrou infalível.

A simplicidade africana parte a loiça toda, a ocidental está compilada em livros de citações e técnicas de enriquecer rápido.

 Por Carlos Carneiro (filho)

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