Dica: A “licença internacional de condução”

Ora aqui está um documento misterioso…

A licença internacional de condução escreve na capa orgulhosa “Convenção sobre o trânsito rodoviário de 19 de Setembro de 1949”. Uma convenção interessantíssima com acepipes e longos bigodes da Europa feliz pós guerra que inventou este papel que não é mais que a nossa carta traduzida para várias línguas e aceite por diferentes países.

Quais? Ainda não sabemos.

Entretanto o mundo evoluiu, os materiais e ergonomia seguiram-lhe o rasto, mas este papelinho mantém os longos bigodes dos anos 40:

– O tamanho é XXL, não cabe na “bolsinha” de cintura muito menos numa carteira. Segue assim isolado dos restantes documentos e enche-se com vincos de rebeldia e solidão.

– Tem uma capa plástica para proteger o que é sensato para viajantes. O problema é que assim que atravessámos a Mauritânia com moderados 30 graus centígrados, o plástico se colou ao que devia proteger, arrancando letras, a fotografia da última página e comendo toda a tinta que vinha no caminho.

– A nossa vem traduzida para inglês, espanhol, italiano alemão, árabe, russo e mandarim. Um alívio para quem atravessa uma dezena de países…francófonos!

– Só no dão um ano de validade e como nós tirámos ainda antes do Carlos pai ter partido o pé, e a viagem ter sido adiada, a minha licença está caducada desde Janeiro.

Mas o mais estranho desta Licença Internacional é que passados 21 países, nunca foi pedida por alguma autoridade. A carta europeia cai muito bem nos polícias pois têm as estrelinhas douradas para selo de qualidade, e com a vantagem que olham para ela, pouco percebem das letras minúsculas e mandam-nos embora.

Ainda nos faltam uns países para concluir a jornada e agora que a licença caducou e parece saída duma sarjeta, talvez se torne um papel vital para esta viagem…

Por Carlos Carneiro (filho)

 

 

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