Vinho tinto para a chegada!

Diário: O regresso a Portugal

“Mão na coisa, coisa na mão” – o regresso a Portugal

Vinho tinto para a chegada!

Vinho tinto para a chegada!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É hora de arrepiar caminho. Não na estrada mas no site. Já vos escrevo da Covilhã, a recuperar sentidos, a ouvir Amália, com Portugal a subir ao cérebro e África a descer ao estômago. Lá para dentro escorrega um puzzle desorganizado de imagens, amigos, momentos e emoções.
O site ainda vai mole e ainda na Líbia mas nós acelerados. Conseguimos o visto da Argélia em Túnis, numa hora e meia, depois de um telefonema da nossa embaixada. Atravessámos a Argélia numa semana e ainda ficámos uns dias em Bajaia com um amigo português – o Eduardo – que nos antecipou o regresso a casa recebendo-nos com alegria portuguesa. Bejaia é uma cidade linda à beira mar, a Argélia (o pouco que conhecemos, pois é o maior país de África) um país verdejante de pessoas sorridentes. Mais um daqueles sítios aparentemente tão longe de nós, que no terreno nos engole em parecenças. Até as mulheres, muito bonitas, são emancipadas, muitas não usam véu e trocam olhares sorridentes connosco. Comentei com o meu pai:
– São as primeiras árabes que não têm pudor em “flirtar” na rua.
– Sabes como se dizia “flirt” no meu tempo? “Mão na coisa, coisa na mão. Coisa na coisa é que não.”
Neste puzzle que me cai desorganizado pelo estômago, ganha vida uma viagem paralela que pouco tenho falado – a de um filho com o seu pai. Tem sido uma redescoberta fabulosa, um regresso às origens, ao meu país, que me pôs a ouvir fado emocionado e a aprender expressões das ruas antigas como esta do “mão na coisa, coisa na mão”. É uma viagem interior tão espessa que precisa tempo para ganhar lógica e poder perceber com clareza essa moral que sempre aparece nos finais das grandes viagens e dos bons livros.
Apanhámos o Ferry para Alicante e percebemos que a Europa cheira a detergente.
Fomos com inocências africanas ao centro de treinos do Real Madrid levar uma carta com uma foto ao Mourinho. Queríamos agradecer ter sido o nosso salvo-conduto este ano – repetimos o seu nome vezes sem fim. Logo numa primeira barreira o segurança dizem-nos que não há treinos. Pedimos para deixar a carta. O segurança liga por rádio para uma menina lá longe e vai explicando “não são empresa, são particulares. Não… não têm notificação.”.
– Perdão, não vos posso aceitar nem responsabilizar pela vossa carta, enviem por correio!
– Eu percebo, mas a nossa vinda aqui é simbólica, vimos com 42.000 km de estrada em África e entregar em mão é mais bonito que por correio.
– Perdão as regras não nos deixam.
Uma chapada de Europa nestes cérebros cheios de África. Entrámos em Portugal que nos recebe com um gigante cartaz a dizer “Toll only”.
Que mer#a é esta do “Toll”? Somos fotografados 5 vezes por estruturas metálicas e vão-nos enviar a conta para casa, talvez com juros não sei. Já não há dinheiro para portageiros.
Mas os políticos e as suas estruturas metálicas que sacam dinheiro com fotografias, eclipsaram-se das nossas mentes num instante pois de seguida lembrámo-nos o melhor que há em Portugal – os portugueses. Fomos recebidos pelo meu amigo Nuno com o seu humor nortenho, frango no churrasco e vinho tinto de cair para o lado. Bebemos e falámos até ter os olhos pequenos e vermelhos.
Agora venha a festa!

Por Carlos Carneiro (filho)

 

Com os nosso amigos argelinos – Rabat e Karim, e quase argelinos – Eduardo!

Com os nosso amigos argelinos – Rabat e Karim, e quase argelinos – Eduardo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o Eduardo à porta do Hotel em Bajaia onde viveu o Presidente da República Manuel Teixeira Gomes 10 anos, depois de ser exilado de Portugal.

Com o Eduardo à porta do Hotel em Bajaia onde viveu o Presidente da República Manuel Teixeira Gomes 10 anos, depois de ser exilado de Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E claro que para não ficar atrás, o presidente viajante veio cá deixar uma placa 

E claro que para não ficar atrás, o presidente viajante veio cá deixar uma placa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vista da varanda do quarto de Manuel Teixeira Gomes

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Paisagem no caminho deste país incrível.

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Catrela antes de mais um banho a solda – panela de escape ao tubo, e tudo preso ao corpo do carro! Cortesia do Karim.

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O Rabat oferece um livro sobre a cultura Cabilia ao Carlos Pai.

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Despedidas já com a nossa bandeira

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O Barco de Oran que apanhámos para Alicante

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Bater com o nariz na porta do Real Madrid

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O regresso à civilização! A jogar wii com Nuno, já na Covilhã.

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