Primeiro posto com gasolina depois de Assuão foi só a 468km, já em Hurgada

Diário: Entrada em “moche” do Carlos Pai no Egipto

Entrar no Egipto é encaixar um aparelho auditivo nos ouvidos encravado no máximo.

Primeiro posto com gasolina depois de Assuão foi só a 468km, já em Hurgada

Primeiro posto com gasolina depois de Assuão foi só a 468km, já em Hurgada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda está o ferry a aportar em Assuão e os carregadores já estão aos gritos agitados com potenciais clientes. E de grito em grito, empurrão em empurrão, vamos andando como gado bravo até chegarmos a um tapete rolante com Raio X que rola sem parar. Atiram as nossas preciosidades como sacas de batatas e deixam-nas acumular no final do tapete em intermináveis montes. Abananado ainda perguntei – “Preciso de tirar o labtop?”. No lado de lá tinha a mochila com metade de todo o meu património a rastejar no chão debaixo de um monte de caixotes e perdi o sangue a achar tinha sido roubada.

Continuamos por um corredor que desembocava numa portinha igual às que temos no corredor das casas. Um polícia imberbe tentava controlar multidão e veio uma algaraviada à séria: um pai com a criança ao colo quase cai quando ele ameaça puxar pelo cassetete e começa empurrar com violência a multidão. A criancinha chora descontrolada, o pai ameaça bater no polícia, os carregadores nervosos passam por nós em nesgas de espaço com enormes sacas ao ombro e bigodes suados espremendo cada vez mais o gado nervoso.

Moche! A multidão reage num solavanco em massa e o Carlos Pai atira-se para o meio! Conseguimos passar na portinhola com sucesso. Descabelados e incrédulos, um polícia diz-nos: “Welcome to Egypt!”.

À nossa espera estava o Kamal – contacto para ajudar nas papeladas – que nos levou até aos amigos Polacos, ao casal americano e a família com cinco filhos. Todos juntos e uma nova luta: tirar os carros do cargueiro encontrar gasolina. Com o país tão “seco” é o Exército que controla as estações de serviço e as suas filas intermináveis. Tentámos vários sítios sem sucesso. Diziam-nos: “Vais para a fila, esperas 10 horas, e rezas que quando lá chegues ainda haja gasolina. E é proibido encher jerricans!”

Até que depois de duas horas a dar voltas por Assuão os Polacos vêm uns militares conhecidos a controlar uma estação, com megafones e tudo!

Abriram-nos as barreiras que vedavam as traseiras, ultrapassamos uma fila gigante e enchemos tudo o que tínhamos à mão inclusive o Jerrican da água. O americano abasteceu 200 litros e ainda garrafões de plástico de água! Lá fora um “bruaá” queixava-se de tamanho desplante, mas o militar gritava mais alto do megafone.

Foi uma entrada a mil à hora. Seguimos para Luxor para fazer um pouco de turismo, já restabelecidos e com gasolina para 1000 km.

À noite vou a um pequeno cyber onde me esperava um dos encontros mais cómico desta viagem: alguém que me passa o seguinte papel:

“Também sou português, mas ando disfarçado de turco, não me fales para não fod#% o disfarce. Já conversamos. Ronaldo”.

(continua)

Por Carlos Carneiro (filho)

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