Ronaldo, o homem que finta a esperteza árabe com disfarce turco

Crónica: Um português disfarçado de turco

Num pequeno ciber em Luxor sentei-me ao lado de um homem com barba por fazer, um “taqiyah” branco na cabeça (chapéu islâmico) que passado um pouco percebo ser turco pela conversa que teve com o dono do cyber:

Ronaldo, o homem que finta a esperteza árabe com disfarce turco

Ronaldo, o homem que finta a esperteza árabe com disfarce turco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– You’re muslim? Yes?! I’m also muslim from Turkey. We’re brothers! – e abraçou-o calorosamente.

Passados uns minutos ele passa-me um papelinho disfarçadamente:

“Também sou português, mas ando disfarçado de turco, não me fales para não fod#% o disfarce. Já conversamos. Ronaldo”.

Passei meia hora no computador a lacrimejar de rir e a tentar perceber aquela história.

Piscámos o olho em sinal de saída. Uns metros depois, apresentou-se como o Ronaldo dos Açores, um estudante a viver na Bélgica com uma bolsa e agora numa viagem de três semanas pelo Egipto, Jordânia e Israel.

– E tudo disfarçado de turco? A que propósito?!

– A que propósito? Diz-me, quanto é que pagaste no cyber?

– Cinco pounds

– Eu cheguei antes que tu e só paguei dois! Já percebes porque ando assim. Senão és roubado por todos os lados, não dá hipótese nestes países. Como fiz teatro na escola, aproveitei e comprei este chapéu islâmico e estás a ver estas chapa que tenho ao pescoço? É de prata e custou só 20€! Se fosses lá tu pediam-te uns 50€. Tem gravado em árabe “Alá é grande!” E sou Turco porque eles lá falam uma língua diferente, pois de árabe só sei umas palavras. Gosto disto, parece que sou um espião!

Eu fui buscar uma cerveja e ele disse-me: “Acompanho-te mas falamos em inglês pois conheço o gajo da loja do lado, e se me vêm a falar português estou fod#$io!”

Acredito que sim! Um cristão com chapéu islâmico e uma placa a dizer “Alá é grande” para fintar a esperteza árabe e poupar uns “pounds” não me parece desculpa bem aceite por estas bandas! Infelizmente o Ronaldo estava de saída para o comboio, e foi uma conversa curta. Despedimo-nos e não pude deixar de rir até chegar ao quarto.

Grande Ronaldo, a vida é uma festa!

Por Carlos Carneiro (filho)

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